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5 pontos chaves para entender as Mudanças climáticas e as ferramentas para agir como organização.

Publicado em 14/09/2017

1. O que são as mudanças climáticas?

Mudança climática é o termo usado para explicar as variações do clima na Terra que estamos enfrentando na atualidade.

O fenômeno do Efeito Estufa, cuja intensificação é uma das consequências das mudanças no clima, é a retenção de radiação do Sol (a maior parte no espectro do calor) na atmosfera da Terra devido a uma “capa” de gases. É importante ressaltar que o Efeito Estufa é um fenômeno natural e essencial para manutenção da vida do planeta.

Variações no clima geral do planeta acontecem de forma natural, no entanto a ação do homem (também chamada de ação antrópica) intensificou o processo chamado de “Efeito Estufa”, o que acabou gerando alterações em diversos parâmetros climáticos, como: temperatura, precipitações, aumento do nível do mar etc.

Os principais gases e família de gases que causam a intensificação do efeito estufa e que foram definidos no protocolo de Quioto são:

CO2 - Dióxido de Carbono

CH4 - Metano

N2O - Óxido nitroso

CFCs – Clorofluorcarbonetos

PFCs - Perfluorcarbonetos

HFCs - Hidrofluorcarbonetos

SF6 - Hexafluoreto de enxofre

NF3 - Trifluoreto de nitrogênio


Desde a revolução industrial a atividade humana tem aumentado a concentração destes gases em 39%. Sem a atuação do homem, a natureza conseguia manter o equilíbrio dos gases presentes na atmosfera. No entanto, com o aumento das atividades industriais e o desmatamento das florestas,  que são o principal reservatório de carbono, o planeta não consegue mais encontrar o equilíbrio. 

Atualmente existe um consenso, quase geral, referente a ideia de que a maneira em que produzimos e o nosso consumo energético está gerando uma alteração climática global, que está tendo graves consequências em diferentes países e nos sistemas sócio económicos.



2.     Consequências das Mudanças Climáticas na América Latina – como as alterações no clima nos afeta?

As mudanças climáticas nos afetam a todos e em níveis que vão desde o econômico até a saúde da população. As consequências das mudanças climáticas não podem ser tratadas como um problema ambiental pontual, mas sim de maneira sistêmica, uma vez que afeta a economia, a produtividade e a sociedade. Na Tabela 1 são apresentados os setores com maior potencial de sofrer impactos negativos à consequência das mudanças climáticas:

Tabela 1 Potenciais impactos e riscos das mudanças climáticas.

Tabela traduzida da Comissão Económica para América Latina – CEPAL, baseado no estudo do IPCC” Chapter 27,Central and South América”, Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability. Part B: Regional aspects.. Contribution of Working Group  II, to the fifth Assessment Report of the IPCC.

É importante sinalizar que a América Latina representa somente 8% das emissões mundiais totais de GEE.  Deste total, quatro países representam 75% das emissões, sendo eles: Argentina, Brasil, México e Venezuela (WRI, 2015 apud Del Valle, 2015).

No Gráfico 1, apresentam-se as emissões totais da América Latina e Caribe e a taxa de crescimento dessas emissões, ao longo de quatro períodos abrangendo desde 1995 até 2010.

Gráfico 1 Emissões de GEE totais na América Latina e o Caribe. Fonte WRI, 2015.

A América Latina e Caribe, apesar da baixa contribuição de emissões totais de Gases de Efeito Estufa quando comparada a outros países, é uma região bastante vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas. Com a economia altamente dependente de fatores climáticos as consequências das alterações do clima, como, aumento do nível do mar, intensificação de fenômenos climáticos (por exemplo, El Niño), entre outros, afetariam enormemente a região (Del Valle, 2015).

3. Ferramentas: os Inventários de Gases de Efeito Estufa e a medição da Pegada de Carbono

Como o impacto negativo das mudanças climáticas pode ser mitigado?

Para responder a esta pergunta o primeiro passo é definir onde estamos, isso quer dizer que precisamos conhecer quanto, onde e o que emitimos nas empresas, cidade ou país. Este primeiro passo é a MEDIÇÃO e pode ser efetuada através do Inventário de Gases de Efeito Estufa ou o cálculo da Pegada de Carbono. O relato e a verificação complementam uma sistemática que permite estabelecer uma linha de base para poder entender nossa situação atual e poder medir a eficácia e eficiência das ações para mitigar nossas emissões.

“O que pode ser Medido pode ser Gerenciado, Melhorado e Aprimorado”

O inventário de Gases de efeito estufa é um relatório onde se encontram relatadas todas as fontes de emissões e remoções de gases de feito estufa. Ele pode ser efetuado no nível de uma organização, cidade ou país, no entanto, existem diferenças na maneira em que se organizam os dados.

Principais Referências

Para a elaboração de um inventário de GEE é necessário seguir protocolos e normas disponíveis para a sua compilação. Atualmente, a norma mais utilizada é o Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), que é compatível com a ISO 14.064. O GHG Protocol foi adaptado para o nosso contexto nacional, surgindo o Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHGP).

Para fins de métodos de quantificação, a referência mais importante é o IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories.

No caso de inventários nacionais os dados se organizam em base a:

  1. Energia
  2. Processos industriais e uso de produtos (IPPU)
  3. Agricultura, silvicultura e outros usos da terra (AFOLU)
  4. Residuos
  5. Outros (p.e., emissões indiretas da deposição de nitrogênio proveniente de fontes não agrícolas)

Já no caso de inventários corporativos as informações se organizam por escopos como os exemplos citados  na tabela 2

  

ESCOPO

CATEGORIA

EXEMPLOS FONTES DE EMISSÕES

Escopo 1

Combustão estacionária

·    Geradores elétricos (próprios e alugados)

Combustão móvel

·         Veículos da frota (automóveis, motos)

Emissões fugitivas

·  Gases refrigerantes de ar condicionado

·  Gases de extintores de incêndio

Escopo 2

Aquisição de energia elétrica

·         Eletricidade comprada

Escopo 3

Resíduos gerados nas operações

·         Efluentes

·         Resíduos sólidos

Viagens a negócios

·         Viagens de avião, ônibus intermunicipais

Deslocamento de funcionários (casa-trabalho)

·         Deslocamentos de automóvel, metrô, barca, moto

Transporte e distribuição (downstream)

·         Deslocamento de visitantes escolares

 

A elaboração de um inventario coorporativo de tem uma sequencia básica de passos os quais se detalham a continuação:

De maneira geral o Inventario segue a logica e os pricnipios contaveis, motivo pelo qual não deve representar uma tarefa complexa para uma organização, de fato sed contitui numa otima ferramenta de informações que permite estabelecer um sistema de informações que permite enxergar a organização de um ponto de vista diferente.

4.     A Medição da Pegada de Carbono

 Sistema ABNT de Medição e Certificação da Pegada de Carbono de Produtos

A pegada de carbono é a quantidade total de emissões de Gases de Efeito Estufa que são emitidos de maneira direta ou indireta por um determinado produto ao longo do seu ciclo de vida, desde a extração de matérias primas até seu descarte final.

O Brasil tem uma enorme vantagem sobre seus concorrentes através de suas baixas emissões de carbono por kWh de eletricidade, o que significa que um produto brasileiro mesmo usando significativamente eletricidade, pode ser certificado como baixo teor de carbono em comparação com aqueles produzidos em outros países.

 

 

Diferentemente do Inventário, a pegada de carbono tem como referencial normativo as normas:

- PAS 2050:2011 - Specification for the assessment of life cycle greenhouse gas emissions of goods and servicesI, que é uma das mais usadas,

 - ABNT ISO/TS 14067:2015 - Gases de efeito estufa – Pegada de carbono de produtos – Requisitos e orientações sobre quantificação e comunicação.

                 - GHG Protocol 2011 - Product Life Cycle Accounting and  Reporting     Standard.

Para cada produto é preciso criar uma regra de categoria de produto onde se especificam os critérios para efetuar a medição da pegada de carbono. A grande diferença com o Inventário de gases de efeito estufa é que a medição da pegada carbono se trata de uma análise do ciclo de vida de um produto ou serviço e no final permite o uso de uma marca no produto.

Descrição: Resultado de imagem para pegada ecologicaAssim como os inventários, a pegada de carbono é uma importante ferramenta para que as organizações conheçam suas emissões de GEE e, assim, identifiquem oportunidades de redução dessas emissões, isto porque, como foi dito anteriormente, é muito importante conhecer para se poder gerenciar.

Por meio deste instrumento, é possível avaliar todo processo produtivo com um novo olhar, e conseguir, além de redução das emissões, melhorar a eficiência do processo, a relação com os fornecedores, a visibilidade no mercado, entre outras vantagens.


RELATO

O relato das informações muitas vezes inclui a publicação do relatório do Inventário. A maneira como estas são apresentadas, é uma forma que as organizações tem para mostrar trasparência perante suas partes interssadas, um bom exemplo são os sistemas de registros públicos de emissões como é o caso do Brasil.

VERIFICAÇÃO

A pegada de Carbono assim como os inventários GEE também são passíveis de verificação por terceiros. Essa medida tem o objetivo de atestar a acuracidade e a qualidade dos dados apresentados, assegurando uma avaliação do quantitativo de emissões de gases de efeito estufa da organização.

5. Mitigação e adaptação as mudanças Climaticas na América Latina.

Os conceitos de mitigação e adaptação são apresentados a seguir:

Ø  Mitigação se traduz em um conjunto de medidas que, adotadas hoje, contribuirão para minimizar as emissões de GEE e, consequentemente, os seus impactos futuros (IPCC, 2014).

Ø  Adaptação se traduz em um conjunto de medidas que podem ser adotadas com vistas a adaptar nosso modo de vida a nova realidade, minimizando possíveis danos e aproveitando possíveis oportunidades. Neste ponto é válido lembrar que nem todos os impactos são negativos, e alguns países poderão ter benefícios, uma vez que alguns lugares frios e inviáveis para plantações, num novo cenário poderão ser aptos para plantações e criações de animais (IPCC, 2014).

É importante destacar que nenhuma das duas alternativas é isenta de impactos econômicos, ou seja, sempre existirá a variável de custos. Muitos dos países de América Latina e o Caribe tem condicionado suas metas a ajuda econômica internacional.

A Contribuição Nacionalmente Determinada (INDC) é o documento onde os países colocam suas metas de redução perante os países signatários. Dentro deste documento estabelece-se também se esta meta estará condicionada a ajuda econômica internacional e, principalmente, quais setores serão priorizados para mitigação, adaptação ou ambas.

O Gráfico 3 analisa os setores priorizados para mitigação, desta vez nos países da América do Sul. Observa-se que novamente vários países incluíram na sua estratégia de mitigação o setor de energia. Seguindo o observado na América Central e México, os países da América do Sul também estabeleceram estratégias para o setor de floresta e uso da terra (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador e Uruguai) e Agricultura (Bolívia, Brasil, Chile, Equador).

CONCLUSÃO

Os empresários devem encontrar no inventário e e na mediação da Pegada de Carbono um mecanismo de gestão dos seus negócios. As informações contidas no inventário são essenciais para poder avaliar o negócio de outro ponto de vista, podendo o empresário perceber melhorias que resultem em benefícios e economias para empresa. Alguns dos benefícios que as empresas visam ao realizar o gerenciamento de GEE são o aumento de credibilidade e um diferencial de mercado, procurando a fidelização de clientes, principalmente no caso de empresas fornecedoras de grandes empresas. Financeiramente, as empresas que têm na sua política ações sustentáveis têm seu valor de mercado aumentado.

Bibliografia

Fonte: http://blog.waycarbon.com/2016/07/inventario-de-gases-de-efeito-estufa/

Fonte: http://www.abntonline.com.br/sustentabilidade/Pegada/

Fonte: Estudo prospectivo sobre o comportamento da América Latina e Caribe Frente a Gestão de Gases de Efeito Estufa  - Documento elaborado no âmbito do Projeto ABNT/BID destinado ao Fomento à Gestão dos Gases de Efeito Estufa e a Verificação por Terceira Parte em Pequenas e Médias Empresas no Brasil.