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Inventário de Gases de Efeito Estufa - Por que calcular as emissões do Escopo 3?

Publicado em 10/05/2016

Inventário de Gases de Efeito Estufa - Por que calcular as emissões do Escopo 3?

Elaborado por: Renata Menezes Rocha


O Escopo 3 no inventário de emissões de GEE das organizações são aquelas emissões que não pertencem e/ou não são controladas pela empresa. É o único escopo do inventário de emissões da organização que não é de relato obrigatório, segundo o Programa Brasileiro GHG Protocol.

Portanto, valeria à pena calcular as emissões do Escopo 3?

Fonte Imagem: PIXABAY

A realização do inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) possibilita às organizações melhor entendimento organizacional ao se gerar conhecimento sob uma nova ótica. Com o conhecimento presente no inventário, as organizações podem analisar e desenvolver ações de melhoria de gestão e de processo, identificar oportunidades de redução de emissões, diminuindo custos e melhorando a eficiência econômica, energética e/ou operacional. Além disso, permite às empresas participarem de oportunidades de novos negócios no mercado de carbono e a atraírem investimentos.

O Escopo 3, no inventário de emissões de GEE das organizações refere-se àquelas emissões que não pertencem e/ou não são controladas pela empresa, ou seja, leva em conta todas as emissões indiretas não categorizadas nos outros escopos. Apesar de opcional, o Programa Brasileiro GHG Protocol recomenda fortemente o seu relato.

               As categorias englobadas no Escopo 3 são as seguintes:  atividades relacionadas à energia não incluídas nas emissões diretas e indiretas de energia; emissões geradas para a produção dos insumos; emissões resultantes do tratamento de resíduos gerados a partir de atividades organizacionais; transporte dos insumos adquiridos; viagens de negócios; bens arrendados por terceiros; deslocamento dos clientes até o negócio; transporte e distribuição da produção (se esta for feita por terceiros); uso do produto pelos clientes; fim da vida útil do produto; deslocamento de funcionários; outras emissões ou remoções indiretas não compreendidas em outras categorias. O programa GHG Protocol recomenda que as companhias identifiquem quais atividades presentes no Escopo 3 possuem emissões mais significantes e, consequentemente, oferecem melhores oportunidades de redução de emissões.

Assim, o Escopo 3 contém muitas informações importantes que se relacionam com a gestão de fornecedores (tanto upstream quanto downstream), temática esta já bastante difundida nas empresas. A gestão da cadeia de valor se dá quando a empresa passa a realizar a gestão estratégica dos impactos negativos sociais e ambientais, geralmente, nos fornecedores, pois são aqueles que têm maior possibilidade de influência. E é justamente nesta interface com fornecedores que há amplas oportunidades de negócio em sustentabilidade, inovação e melhorias.

Portanto, o Escopo 3 é uma importante fonte de informação sobre potenciais oportunidades de redução de emissões, que pode ser realizada através de melhorias no processo (gerando menos resíduos), revisão de contratos com prestadores de serviço (por ex. empresas transportadoras que utilizem somente biocombustível, ou otimização da rota), diminuição de viagens de negócios, que pode ocorrer através de realização de reuniões via web, entre outras.

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Fontes:

  1. Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol. Contabilização, Quantificação e Publicação de Inventários Corporativos de Emissões de Gases de Efeito Estufa. Segunda Edição.
  1. Technical Guidance for Calculating Scope 3 Emissions (version 1.0). Supplemet to the Corpotatee Value Chain (Scope 3) Accouting & Reporting Standard. GREENHOUSE GAS PROTOCOL.
  1. http://ekoeducacaocorporativa.com.br/sustentabilidade-gestao-da-cadeia-de-fornecedores-importancia-de-olhar-alem-dos-muros/